Fonte: Observatório Movimento Todos pela Base
A experiência do ADE dos Guarás
Desde 2014, os nove municípios que fazem parte do Arranjo de Desenvolvimento da Educação (ADE) dos Guarás, no Maranhão, trabalham coletivamente. Já construíram os Planos Municipais de Educação (PME) de forma conjunta, procuram executar políticas públicas em parceria e realizar encontros formativos para os Dirigentes Municipais de Educação (DME) e equipes técnicas em diversos temas.
Em 2020, encararam outro desafio: construir um referencial curricular comum para as redes que compõem o território, mesmo em um ano de novos limites e desafios impostos pela pandemia da Covid-19 e o uso das tecnologias para comunicação a distância. A construção do documento exigiu o estudo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do referencial curricular maranhense, além de um mergulho no diagnóstico educacional e nas especificidades locais dos participantes, que foram Apicum-Açu, Bacuri, Cedral, Central do Maranhão, Cururupu, Guimarães, Mirinzal, Porto Rico do Maranhão e Serrano do Maranhão. Com isso, as realidades das comunidades quilombolas, ribeirinhas, ciganas e praianas foram levadas em conta, incluindo variados aspectos econômicos – como a pesca, o extrativismo e a agricultura –, e os religiosos, com forte influência de matriz africana. “Consideramos que agora temos um currículo integrado e que representa o litoral ocidental norte do Maranhão”, diz orgulhosa Maria Gorethi dos Santos Camelo, assessora técnica do Ade e uma das redatoras do material.
Em maio de 2020 começaram as discussões dos 40 profissionais que construíram o currículo, com apoio do Itaú Social e parceria técnica da FGV (Fundação Getulio Vargas), e o texto foi finalizado em novembro do mesmo ano. Coube à FGV liderar os encontros formativos semanais em um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e disponibilizar tutores para os grupos de trabalho organizados conforme componentes curriculares e segmentos de ensino. Cada grupo contou com profissionais de diferentes perfis, entre professores, gestores escolares, técnicos das secretarias, DME e especialistas convidados, que se comunicavam quase que diariamente para afinar o melhor caminho do currículo.